"Bem-vindo ao Blog do Bob Escova Super-Herói! Aqui, cada postagem é uma aventura cheia de ação, diversão e, claro, aquele toque heroico que só o Bob sabe dar! Não perca suas atualizações sobre histórias incríveis, dicas heróicas e curiosidades exclusivas. Siga o blog e embarque nessa missão super divertida! Afinal, todo super-herói precisa de uma super-equipe. Seja parte dela!" !
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Escova e o Homem Mais Pobre do Mundo
Em Sorriso City, Bob Escova não voava com capa. Ele surfava numa onda de espuma de menta, e seu superpoder era simples: fazer qualquer boca voltar a ter coragem de sorrir.
Naquela tarde, o Alerta Hortelã apitou no banheiro da Dona Lurdes, em Campo Grande. Não era cárie. Não era placa. Era silêncio.
Bob seguiu o sinal até debaixo do viaduto da Avenida Mato Grosso. Lá morava o Seu Jerônimo, conhecido no bairro como "o homem mais pobre do mundo". Não porque não tinha casa, ele tinha construído uma de caixotes bem arrumada. Não porque não tinha comida, a vizinhança deixava marmita. Era porque, diziam, ele não sorria há 14 anos.
Bob aterrissou fazendo ploc na poça, ajeitou o topete e apontou a escova.
"Boa tarde, cidadão! Operação Resgate do Sorriso, apresente-se!"
Seu Jerônimo levantou os olhos. Barba branca, camiseta remendada, mãos calejadas. "Moço pasta de dente, não me falta motivo pra tristeza. Falta dente."
Bob riu, aquele riso de comercial. "Erro comum, meu amigo. O vilão que te pegou não é a pobreza. É o Doutor Vergonha."
E contou a história: anos atrás, Jerônimo trabalhava como palhaço de semáforo. Fazia as crianças rirem só mostrando os dentes separados. Um dia quebrou um incisivo num tombo, não tinha dinheiro pro dentista, passou a cobrir a boca com a mão. Parou de fazer palhaçada. Parou de falar. As pessoas acharam que ele ficou amargo, e ele acreditou.
"Eu sou o homem mais pobre do mundo porque enterrei meu tesouro", disse Jerônimo.
Bob Escova entendeu na hora. Seu sensor de flúor não detectava cárie, detectava solidão.
A batalha não foi com soco
Bob não tirou moedas do bolso, ele nem tem bolso. Fez o que um super-herói da higiene faz melhor: montou um quartel-general.
Primeiro, escuta. Sentou no caixote e ouviu Jerônimo contar piada velha de palhaço por duas horas.
Depois, ferramenta. Entregou sua escova verde gigante. "Não é mágica. É disciplina. Três minutos, manhã e noite, que a gente limpa o que dá pra limpar."
Por último, convocação. Bob assobiou e chamou a criançada da vizinhança. "Tragam copos d'água!"
Em dez minutos, o viaduto virou clínica improvisada. Bob ensinava a escovar cantando funk da espuma: "vai pra cima, vai pra baixo, gira, cospe, dá um tchau pro bicho-papão da placa". Jerônimo, sem jeito, escovou o que restava dos dentes. A espuma fez bigode branco. Uma menina riu. Ele, sem pensar, tirou a mão da boca e riu junto. Faltava um dente, sobrava som.
Foi aí que o Doutor Vergonha apareceu de verdade, na forma de uma nuvem cinza de mau hálito que vivia se alimentando de bocas fechadas. Bob girou a escova como hélice.
"Agora, Jerônimo! O que o homem mais pobre do mundo tem de mais rico?"
Jerônimo não pensou em dinheiro. Pensou na caixa de lembranças que guardava: fotos, nariz de palhaço, bilhetes de crianças.
"História!"
Ele abriu a caixa, pegou o nariz vermelho, colocou. E deu o maior sorriso banguela que Campo Grande já viu. A nuvem não aguentou. Vergonha odeia luz, e um sorriso honesto é clarão.
A nuvem estourou em bolhas de menta. A criançada aplaudiu.
Final feliz sem ser bobo
Bob não deixou um cheque. Deixou três coisas no caixote do Jerônimo:
uma escova nova todo mês, entregue pela farmácia da esquina
um cartaz escrito à mão: "Palhaço de Semáforo — sorrisos grátis às 17h"
e o título oficial: Guardião do Sorriso do Viaduto
Jerônimo voltou a trabalhar. Não ficou rico. Continuou sendo o homem com menos dinheiro no bairro, mas nunca mais foi chamado de o mais pobre. As pessoas agora diziam: "vai lá no Seu Jerô, ele é o homem que ensina a escovar rindo."
Bob Escova voltou pra pia da Dona Lurdes surfando na espuma, deixando rastro de cheiro de hortelã.
Antes de sumir no ralo, gritou:
"Missão cumprida! Lembrete do dia: cárie a gente perfura, tristeza a gente escuta. E todo super-herói precisa de um parceiro que sabe rir mesmo faltando peça!"
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