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Arquiflecha

Bob Escova nunca tinha limpado um mundo inteiro de uma vez só, até o ralo da pia de Dentópolis virar um redemoinho de menta e cuspí-lo direto em Arquiflecha. O mundo onde ele caiu
Arquiflecha não tem espada nem pistola. Tudo ali é arco. As árvores são Flechas-Cantoras, que crescem apontadas para o céu e assobiam quando o vento passa entre as penas As cidades são feitas de Arcos-Vivos, pontes curvas que se esticam e relaxam para deixar as pessoas passarem O povo, os Flecheiros, não atira para matar. Eles atiram para costurar: uma flecha de luz amarra um telhado, outra de água leva recado de aldeia em aldeia O problema é que o céu ficou amarelo. O Rei Placa, uma crosta antiga que odeia qualquer coisa lisa e brilhante, lançou a Praga do Tártaro. Ela gruda nas cordas dos arcos, deixa tudo pegajoso, pesado, e as flechas não voam mais. Sem voo, Arquiflecha para. Bob Escova, o super-herói Ele aterrissa de cabeça na Praça do Alvo, com sua capa de fio dental brilhando, botas de borracha antiderrapante e o escudo-espelho de dentista nas costas. Poderes que ele sempre teve no banheiro, aqui viram magia: Cerdas-Giratórias: viram chicote, vassoura ou hélice. Uma passada e arrancam a placa grudenta sem quebrar a corda Espuma de Flúor: quando ele grita "FRESH!", a espuma expande, lubrifica, e faz qualquer superfície deslizar de novo Bafo Polar: um sopro de menta que congela o açúcar no ar por 3 segundos, tempo suficiente para mirar Os Flecheiros acham ele ridículo no começo. "Um herói com gosto de tutti-frutti?" Mas a arqueira-chefe, Lira Corda-Fina, vê a escova pulsar quando chega perto do Tártaro. A aventura: a Flecha do Último Sorriso Lira explica: no topo do Monte Carie, o Rei Placa guarda o Cristal do Esmalte, a única coisa que pode selar os arcos para sempre. Para chegar lá, precisam atravessar três provas. 1. A Floresta das Flechas Surdas As flechas não cantam mais porque estão cobertas de gosma. Bob não atira, ele escova. Ele corre entre os troncos, gira as cerdas e faz "zun-zun-zun". A gosma sai em flocos. As flechas voltam a cantar e, em gratidão, formam uma escada viva para ele subir. 2. O Desfiladeiro do Hálito Azedo O ar é tão doce e podre que faz os Flecheiros dormirem. Bob morde seu tubo de pasta, enche a boca e solta o Bafo Polar. A névoa açucarada cristaliza e cai como neve de hortelã. Lira consegue mirar uma flecha-corda e atravessam. 3. O Duelo com o Rei Placa O Rei é enorme, feito de restos de bala e refrigerante, com coroa de cárie. Ele ri: "Você limpa dente, eu sujo mundos." Bob não tenta ser mais forte. Ele mergulha no próprio escudo-espelho, reflete a luz do Cristal do Esmalte que está no peito do Rei, e grita "ES-CO-VA!". As cerdas giram tão rápido que viram um tornado de espuma. A espuma não destrói o Rei. Ela o pule. Pela primeira vez em séculos, o Rei Placa sente o que é estar liso. Ele encolhe, vira só uma manchinha marrom, e Lira prende ele numa flecha de vidro para estudar depois, não para matar. Bob esfrega o Cristal do Esmalte nas cordas dos Arcos-Vivos. Elas vibram, estalam, e disparam uma chuva de flechas de luz que limpam o céu inteiro. Arquiflecha volta a brilhar. Final em Dentópolis O portal de menta abre de novo na pia. Bob volta pingando, com uma pena de Flecha-Cantora presa na capa. No bolso, um bilhete de Lira: "Quando o mundo ficar pesado de novo, é só escovar." Ele guarda a pena atrás do espelho do banheiro. Dizem que, nas noites de vento norte aí no Pantanal, dá para ouvir um assobio fino vindo do ralo. É Arquiflecha agradecendo.

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