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O 4 de Junho

4 de junho, Campo Grande. 14h37, 33 graus, céu branco de inverno seco e todo mundo com sede de tereré. É nesse calor que o sinal do Sorriso pisca no céu — não é morcego, é um molar. Bob Escova acorda.
Ele não mora na Fenda do Biquíni, mora no copinho do banheiro do terceiro andar do Edifício Pantanal, entre um fio dental aposentado e um enxaguante que se acha influencer. Capa azul-turquesa feita de cerdas macias, botas de flúor, e o escudo no peito: um "B" que brilha quando alguém esquece de escovar depois do almoço. Hoje é 4 de junho, o Dia do Desafio da Prefeitura, e a cidade inteira está mastigando espetinho, chipa e tereré doce na praça. Perfeito para o vilão. O vilão: Doutor Cárie Molar, com seu exército de Açucarados pegajosos. Plano: usar o calor para derreter mil picolés de leite condensado ao mesmo tempo e criar o Rio Doce, que vai inundar as bocas de Campo Grande e transformar cada sorriso em caverna. Bob Escova sente o formigamento nas cerdas. Zoom. CENA 1 — PRAÇA ARY COELHO As crianças estão na corrida de saco. Bob pousa em cima do bebedouro, gira como hélice e grita: "Hora da escovação tática!" Ele não luta com soco. Ele luta com técnica: Jato Turbilhão 360º — gira no ar e solta espuma de hortelã que faz os Açucarados escorregarem como se estivessem em sabão. Fio Dental Laço — amarra três soldados da placa de uma vez e puxa: ploc. Flúor Final — aperta a barriga, solta uma névoa azul que remineraliza o esmalte da estátua do obelisco (que o Doutor Cárie tinha começado a corroer por birra). Doutor Cárie ri: "Você chegou tarde, Escova. Já joguei 4 toneladas de paçoca no relógio da praça!" Bob olha pro relógio. 14h59. 4 de junho. Ele lembra do seu ponto fraco e do seu ponto forte: ele funciona melhor em dupla. Ele assobia. Do copinho vem Pastinha, a sidekick, uma bisnaga de pasta de dente sabor tutti-frutti que fala muito rápido. Pastinha: "Bob, se a gente não agir agora, a cidade inteira vai ter que marcar dentista na segunda!" Bob: "Então vamos fazer o que a gente faz de melhor. Escovar junto." CENA 2 — O ATAQUE FINAL Bob Escova sobe no relógio, Pastinha esguicha, e juntos eles criam o Arco-Íris de Espuma — uma ponte brilhante que cai direto no Rio Doce. A espuma não afoga, ela limpa. Os Açucarados gritam "nãoooo, flúor!" e dissolvem.
Doutor Cárie tenta fugir num carrinho de picolé, mas escorrega na própria gosma e cai de cara numa bacia de enxaguante bucal. Sai cuspindo bolhas, derrotado, prometendo vingança "no próximo rodízio de pizza". 15h04. O céu volta a ser céu. As crianças voltam a correr. Uma senhora oferece a Bob um tereré sem açúcar. Ele aceita, porque herói também hidrata. Bob Escova volta pro copinho, pendura a capa pra secar e deixa um bilhetinho no espelho do banheiro: "4 de junho — Campo Grande salvo. Lembrete: escovar 2 minutos, 2 vezes por dia, e não dar carona pra vilão no lanche da tarde. Ass: B.E." E lá de cima, o sinal do molar apaga. Até a próxima sujeira.

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