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O dia em que a escova salvou a frota

Ano 1500. Pedro Álvares Cabral está no convés da nau capitânia com 13 caravelas atrás, rumo às Índias. O plano era simples: descer a costa da África, pegar a volta do Atlântico e chegar nas especiarias. O problema era o mau hálito da tripulação e a rota torta.
Escondido num potinho de barro ao lado do timão, morava Bob Escova. Não era uma escova comum. Tinha cerdas de crina de cavalo turbinadas, capa feita de pano de prato e o superpoder de polir qualquer coisa até ela mostrar a verdade. Ele tinha sido “contratado” pelo padre da frota porque, segundo o padre, “boca limpa evita praga a bordo”. Na terceira semana, a frota pegou a corrente errada. O piloto-mor jurava que estavam indo para o sul-sudeste, mas a bússola estava embaçada de sal. Cabral estava irritado, com gengiva sangrando de escorbuto inicial. Bob Escova pulou do potinho, girou no ar e gritou (com aquela voz de quem acabou de sair do enxaguante): “Deixa comigo, comandante!” Primeiro, ele deu um trato na bússola. Cerdas girando a 300 rpm, poliu o vidro até o norte voltar a brilhar. Segundo, ele deslizou pelas velas e tirou o limo verde que pesava toneladas. As caravelas ficaram mais leves e mais rápidas. Mas o truque mesmo veio à noite. Bob subiu no mastro maior, esticou as cerdas como antenas e sentiu o cheiro. Não era cheiro de canela das Índias. Era cheiro de terra molhada, de folha verde, de fruta doce. Cheiro de Brasil. “Terra à vista! E com flúor natural!”, ele berrou. Cabral achou que era delírio. Até que, na manhã de 22 de abril, apareceu aquela faixa escura no horizonte. Monte Pascoal. Araras. Índios na praia olhando para aqueles portugueses de boca fedida. Bob não deixou passar vergonha. Ele organizou a “Operação Sorriso Limpo”. Em fila, cada marinheiro passou pela escovação relâmpago. Cerdas, água do mar filtrada por ele mesmo, e um polimento final nos dentes de Cabral, que precisava sorrir para o primeiro contato. Quando Cabral desceu no batel, com a barba aparada e o hálito de hortelã selvagem, os Tupiniquim não correram. Um deles riu e apontou para a escova dourada no cinto do comandante. Bob fez uma reverência, soltou um jato de espuma que desenhou no ar o contorno do mapa do Brasil.
Cabral, sem entender nada, achou que era sinal divino. Escreveu na carta ao rei: “Achamos terra nova, grande e formosa, onde até as escovas têm alma.” E assim, oficialmente, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. Extraoficialmente, foi Bob Escova que poliu a bússola, limpou a rota e garantiu que o primeiro “olá” entre dois mundos não fosse arruinado por mau hálito. Desde então, reza a lenda que toda vez que uma criança brasileira escova os dentes antes de dormir, Bob Escova dá uma piscadinha lá do fundo do Atlântico, lembrando que grandes descobertas começam com pequenos hábitos.

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